quinta-feira, 29 de março de 2012

É engraçado, na minha vida as coisas sempre possuem um ar inconstante. Sou uma equilibrista, tentando me equilibrar de corda em corda, sem saber direito para onde cada corda me levará. Sempre foi assim, e percebo cada vez mais que sempre será. E de repente surge uma corda, e outra, e outra e muitas outras.
Hoje tenho claramente meu coração como meu guia, não mais meus desejos, não mais o que eu penso que seja certo na frente de tudo ... mas sim o coração. Mas o coração não significa seus próprios desejos? Pois é, nem sempre. Percebi que muitas vezes ele não concorda com meus desejos, com os meus ares sensatos ou qualquer coisa do tipo. Muitas vezes as cordas em que tenho que me equilibrar são opostas aos meus desejos, daí percebo que realmente muitas das coisas que eu desejava, não desejava de coração. Eu queria, queria muito, mas às vezes nem sabia o  porque e o que  queria, e aos poucos isso se perdia no vento da caminhada.

Registro aqui então que nesses últimos tempos aprendi mais um ponto dessa minha jornada equilibrista: deixar o coração guiar, pois ele sabe o que a ele pertence!




Às vezes quero somente poder desfrutar dessa alegria sublime por um minuto que seja, sem que as preocupações e anseios me amordassem novamente.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

E eis que depois de uma tarde de "quem sou eu" e de acordar à uma hora da madrugada em desespero. Eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei.
Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação.
Simplesmente, eu sou eu, você é você.É livre, é vasto, vai durar.
Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida mas, por enquanto, olha pra mim, e me ama! Não! Tu olhas pra ti e te amas.
É o que está certo.


Clarice Lispector






sábado, 27 de agosto de 2011

Ah que saudade moleca, que saudade sapeca ( para Cris)


Que saudade da moleca
da menina sapeca
brinca de xixi na cerca
brinca de ouvir saci deliciando a cerveja
brinca de ser as mil e uma noites e dias que somos

Ah que saudade da moleca
da menina sapeca
brinca de gravar as meninices no gravador sonhador
brinca à noite na escolinha sem professor
brinca de ser as mil e uma noites e dias que somos

Mas que saudade danada da moleca
da menina mais que sapeca
brinca de morder bumbum num trenzinho de dentes
brinca de dormir sobre o sol quente
brinca de ser as mil e uma noites e dias que somos

Ah, saudade dessa moleca
dessa sapeca,
da risada que desperta as borboletas dos meus sonhos
das flores (crisântemo e lírio), e até dos momentos tristonhos
de ser as mil e uma noites e dias que somos

Ah que saudade moleca, que saudade sapeca!










domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ítaca - Belíssimo!

Ítaca 

Se partires um dia rumo a Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.

Nem lestrigões, nem cíclopes,
nem o colérico Posidon te intimidem!
Eles no teu caminho jamais encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito. tocar
Nem lestrigões, nem cíclopes
Nem o bravio Posidon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás de entrar pela primeira vez num porto
Para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.

Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu
Se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Quando o amor vacila - Maria Bethania


Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas,
a esperança é preservada.
Nas xícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir,
e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo,
mas eu quero você agora.
Eu te amo pelas tuas faltas,
pelo teu corpo marcado,
pelas tuas cicatrizes,
pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo teu jogo triste.
As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria.
Mesmo fora de si,
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido,
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.
Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo, quando,
sozinha, bordo mais uma toalha
de fim de semana.
Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.
Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis.
Amo teu sistema de vida e morte.
Eu te amo pelo que se repete
e que nunca é igual.
Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.
Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa.
Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defenda,
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor
vacila.

Sophia Breyner - Poema Azul

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim