quarta-feira, 2 de abril de 2008

Tudo finda

Oh amada vida
Tu que me tiraste tantas alforrias
Tu que me deste tantas alegrias
Tu que me mostraste tantas covardias


Imóbil, trilho os caminhos que até aqui pisei
Marcados pela dor útil de se passar
Pelas alegrias gostosas de lembrar
Pelos risos desesperados a saltar



Interrogo em momentos insanos de mim
As migalhas doloridas de prazer que comi
Se estas eram para serem comidas
Ou simplismente para serem cuspidas



Vejo as repetidas mentiras
Vejo as mesmas falas cretinas, frases postiças
Vejo o mesmo mundo falso



O rio que deságua no mar, que desagua no oceano
É o mundo que é criado
Que deságua na mentira
Que desagua na desilusão



Tudo finda querida vida




















domingo, 30 de março de 2008

De repente


De repente
Em meus olhos, tua imagem refletida
De repente
Em teus olhos, meus olhos a olhar-te

Tudo tão de repente
Outro toque, outra voz, outro olhar
O pecado nos abraça querido
De repente

O riso de menino me alegra a doce solidão
A sacanagem de ser HOMEM ferve-me o corpo
O colo amigo me abriga de mim mesma
Viras-te meu HOMEM! De repente ...









terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Apocalipse


Inferno divino.
Desperta o vulcão adormecido.
Abre-se a cratera, revelação do vazio. erupção de loucura.

As larvas vestem o corpo franzido de calafrios. A gosma quente aquece a pele, preparação para o gozo do vulcão.
A garganta expande e contrai, vertigem dos vermes prestes a nascer. Roçam os lábios, ardem o ventre, latejam a cabeça em busca da saída.

Silêncio! O corpo escuta o choro agonizante da alma. Trata-se de uma espécie de canto agudo choramingado, em que a voz trêmula entoa o tom das lágrimas presas nas cordas vocais. Eis que paira no ar o ultimo refrão inacabado. A dor se encarregou de cortá-lo ao meio.

Contração! Contração!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Calma alma minha
Tuas lágirmas regam meu vazio
Jardim de mortalhas

Calma alma minha
Não algeme nossa alegria
Não congele nossa fantasia

Somos um só corpo

Um só sopro

Um só choro



Desaperte meu coração

Deixe-o chorar as mágoas

Relíquias da tristeza

















Te afastas de mim solidão
Liberte-se de meu ventre
Que este já não pulsa mais

Deixe- me assim
Sem nada sem fim sem ti
Sem eu!

O vazio me fará companhia

domingo, 2 de dezembro de 2007

Luto do amor




Desejo embebedar-me de amor
Perder-me na valsa da loucura
Vagar em vão no vasio da paixão

Pertercer a mim mesma
Cavar-me a superfície
Me alimetar do suor do desejo

Em procissões de loucura
Em rezas de prazer
Coberta pelo luto de tanto amar

Entrego-me ao meu devorar
Exploro meu íntimo

Devasto meu utero

Penetro
Penetro
Penetro

Rasgar, abrir, entrar
Levitar sobre meu corpo
Amadiçoo-me com cálices de paixão
E gotas sangrentas de tesão

Flutuo nas ondas de um violino
A desaguar sobre meu ventre
Embebedo-me desta solidão




sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Delírio




" A tristeza me apunhalou ao encontar-me desatenta e guardou-me a sete chaves. Penetrei em todos meus buracos interiores, desvendei meu universo vazio, cavei minha morte. Dormi em seus braços, recebi teu veneno, desfrutei da dor, uma fruta amarga e ácida. Sonhei a realidade por diversas noites. Em uma delas, notei um sorriso tímido do meu coração. Acordei nos braços do amor, coberta de seda e rosas vermelhas que exalavam o perfume de uma das mulheres que em mim habitam. A senhora Santa Ilusão lançava sobre meu corpo gotas de paixão, e, ao fundo, tocava-se a arpa da solidão. Delírio maldito, nem dor nem amor me faz feliz..."